
Tudo começa com um olhar para o essencial: partir do simples, explorar sua essência e elevá-la com o rigor do fazer, atento a cada detalhe. Foi esse olhar que encontramos no Solar do Unhão, em Salvador, onde Lina Bo Bardi desenhou uma escada helicoidal de madeira que se tornou um dos marcos da arquitetura moderna brasileira. Os degraus giram em torno de um eixo central, encaixados um a um, e sobem como se a própria estrutura estivesse em movimento.
Foi esse movimento que nos guiou. A coleção nasce das dualidades da escada: o peso da madeira e a leveza do vão, a luz e a sombra que se desenham entre as travessas. Cada peça fala de estrutura, ritmo e movimento, e leva para o corpo a sensação de subir em espiral, degrau após degrau.

“Estrutura, ritmo e movimento.”
A escolha também passa por quem desenhou a escada. Lina foi uma das figuras mais importantes da arquitetura moderna brasileira. Italiana, chegou ao país em 1946, apaixonou-se por ele e o enxergou como poucos. Via a potência do Brasil na sua cultura popular, nos seus materiais e na sua gente, e fez disso arquitetura.

Foi desse lugar que veio a Coleção Solar: da admiração por uma mulher que soube ver o Brasil e de uma escada que transforma estrutura em poesia.
Fotografia por Manuel Sá @omanuelsa